Los Sebosos Postizos

O MESTRE COM CARINHO

Começou como uma festa: a noite do Ben, onde Jorge dü Peixe (vocal), Lúcio Maia (guitarras), Dengue (baixo) e Pupillo (bateria e percussão), todos ilustres integrantes da Nação Zumbi, animavam o verão do Recife e de outras cidades revisitando clássicos e jóias raras de Jorg e Ben Jor sob o codinome de Los Sebosos Postizos.

Dez anos depois, as farras sonoras daquelas noites hoje lendárias passar am por uma alquimia e se transformaram neste CD de 14 faixas com um título que entrega de cara seu conteúdo: LOS SEBOSOS POSTIZOS INTERPRETAM JORGE BEN JOR.

Assim, simples e direto. Na verdade, essa história de amor se estende por mais de uma década. Discos como A Tábua de Esmeralda e O Bidú – Silêncio no Brooklyn tem lugar reservado com carinho na memória afetiva dos integrantes do projeto, um momento de iluminação que, ainda na metade inicial dos anos 90, ajudou a formatar o conceit o original de Chico Science e Nação Zumbi e, por conseqüência, o próprio Mangue Beat.

De certa forma, o som universal que Ben Jor até hoje persegue também é para eles uma espécie de Santo Graal, tão importante quanto a batida perfeita buscada por Bambaataa, outro mestre inspirador primordial. Por sorte (e competência, claro), Los Sebosos Postizos não deixam que essa ligação afetiva e estética tão forte conduza o disco para o beco sem saída do excesso de reverência, sempre fatal para a criatividade nesse tipo de projeto. Ben Jor tem o respeito que merece, mas o verbo interpretar aqui é levado à s últimas conseqüências.

MAIS FOTOS

A BANDA

A banda é Jorge Dü Peixe, Lucio Maia, Dengue, Pupillo, Gustavo Da Lua, Pedro Baby e Carlos Trilha

SOBRE O SHOW LOS SEBOSOS POSTIZOS

A começar pelo repertório: boa parte das músicas selecionada s pertence aos anos iniciais de sua carreira e não ao período considerado canônico, aquele que, digamos , vai de Força Bruta até África Brasil. Sã o faixas como A Jovem Samba, Descalço no Parque ou A Tamba, onde ele jo gava suingue na Jovem Guarda ou na Bossa Nova, sem ligar para o nariz torcido de boa parte da elite cultural da é p. Esse é um dos méritos dos Sebosos Postizos: destacar a fase ini cial da trajetória de Ben Jor, rica em achados e invenções, mas que, diante da exuberância dos anos pós-tropicalismo, quase sempre fica em segundo plano. Os fãs da produção da década de 70 não precisam, no entanto, se preocupar, pois músicas como O Homem da Gravata Florida, Os Alquimistas estão chegando os alquimistas e Cinco Minutos representam com competê ncia a afropsicodelia do homenageado.

Assim como o material dos sixties, elas passaram pelo devido reprocessamento alquímico, ressurgindo carregadas de dub, ska e outras de zenas de ingredientes, ora mais melancólicas, ora mais dramáticas, sempre diferentes, sempre iguais.

O resultado final faz justiça tanto a obra do homenageado quanto à trajetór ia de quem organiza a homenagem. Faz justiça, também, a outro caso de amor, mais distante no tempo, de Ben Jor com Pernambuco.

Afinal, foi por uma gravadora da terra da Nação Zumbi , a lendária Rozenblit, que ele gravou seu único disco fora da Phillips na década de 60, o já citado O Bidú – Silencio no Brooklyn, ignorado na época, mas hoje com status de cult.